O que é Coaching e como pode me ajudar?

O Coaching é um processo com começo, meio e fim, fundamentado em bases teóricas consistentes validadas cientificamente, suportado por ferramentas e metodologia. Trata-se de uma relação de parceria entre o Coach (profissional especializado) e o Coachee (a pessoa interessada em se desenvolver), onde o Coach faz o papel daquele que instiga o Coachee a refletir e encontrar as respostas que necessita para evoluir em suas aspirações, sejam elas em quais áreas forem.

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15 novembro, 2010

The Invitation

Oriah Mountain Dreamer
It doesn't interest me what you do for a living. I want to know what you ache for and if you dare to dream of meeting your heart's longing.
It doesn't interest me how old you are. I want to know if you will risk looking like a fool for love, for your dream, for the adventure of being alive.
It doesn't interest me what planets are squaring your moon. I want to know if you have touched the centre of your own sorrow, if you have been opened by life's betrayals or have become shrivelled and closed from fear of further pain.
I want to know if you can sit with pain, mine or your own, without moving to hide it, or fade it, or fix it.
I want to know if you can be with joy, mine or your own; if you can dance with wildness and let the ecstasy fill you to the tips of your fingers and toes without cautioning us to be careful, be realistic, remember the limitations of being human.
It doesn't interest me if the story you are telling me is true. I want to know if you can disappoint another to be true to yourself. If you can bear the accusation of betrayal and not betray your own soul. If you can be faithless and therefore trustworthy.
I want to know if you can see Beauty even when it is not pretty every day. And if you can source your own life from its presence.
I want to know if you can live with failure, yours and mine, and still stand at the edge of the lake and shout to the silver of the full moon, 'Yes.'
It doesn't interest me to know where you live or how much money you have. I want to know if you can get up after the night of grief and despair, weary and bruised to the bone and do what needs to be done to feed the children.
It doesn't interest me who you know or how you came to be here. I want to know if you will stand in the centre of the fire with me and not shrink back.
It doesn't interest me where or what or with whom you have studied. I want to know what sustains you from the inside when all else falls away.
I want to know if you can be alone with yourself and if you truly like the company you keep in the empty moments.

27 janeiro, 2010

O medo e as opções

Monique Edelstein

Desde muito cedo ouvimos de nossos zelosos cuidadores: “Olha lá o que você vai fazer”, “Você nunca fez isso, cuidado”, “Não mexe nisso que você não conhece”, “Não se meta com aquilo que você não sabe”, “Você não sabe fazer isso, deixa que eu faço”, etc. São frases bem animadoras.
A medida que vamos crescendo, desenvolvendo nossas habilidades, começa então uma nova etapa: “O mundo é seu, você tem que ir atrás”, “Você tem que decidir o que vai ser”, “Decida, a escolha é sua”, “O mundo está cheio de opções”, “Com tanta coisa pra fazer e você fica ai sem saber por onde começar”, etc.
Observe que ao unir estas duas situações contrastantes, antagônicas, você acaba se encontrando a beira de um buraco negro. Foi condicionado a temer o desconhecido, Aprendeu que não deve se meter com aquilo que não sabe, que não domina, deve temer o desconhecido e de repente, é estimulado, lhe é dado, lhe é cobrado o poder da escolha e que pode escolher qualquer ramo de atividade que desejar.
Não é a toa que vivemos a era do medo, medo de tudo, difícil até mesmo de classificar este medo, medo nem sei do que, apenas que é medo.
E então, você já gente grande, precisa enfrentar o desconhecido, fazer o que nunca fez antes, fazer o que foi condicionado a não fazer, mexer com assuntos que ainda não conhece, meter-se em assuntos novos, com competência, assertividade, segurança e ainda por cima, demonstrando tudo isso através de suas palavras e atitudes.
Um Universo de opções à sua frente e você precisa decidir qual delas você escolherá. A escolha de uma elimina a possibilidade da outra, mas todas elas são desconhecidas, como saber a que dará mais retorno, mais satisfação!
Só mesmo indo lá para saber. É preciso que você se prepare e assuma seu desejo de experimentar, aceitando que há riscos em qualquer caminhada e que eles podem ser controlados quando percebidos. Uma das formas é conhecendo-se a si próprio, ter consciência de seus talentos, de suas habilidades, ter claro para si mesmo o seu repertório de respostas às diferentes situações.
O Universo está mesmo a sua espera, isso não significa que você precisa sair correndo abraçando a tudo de uma só vez. Avalie, pese as possíveis conseqüências, positivas e negativas, avalie o seu preparo para cada uma delas. Fique alerta a indicadores e saiba que não há como chegar perto do sucesso sem ultrapassar o fracasso, eles andam juntos.
Conhecer o seu repertório interno é a grande ferramenta contra a paralisia do medo. Enfrente os monstros que ficavam embaixo da cama e dentro do armário. Alguns podem parecer assustadores, mas são domesticáveis. Ao acender das luzes eles sempre sumiam, não sobreviviam ao conhecimento.

23 novembro, 2009

Por que nos chocamos ao conquistarmos um objetivo?

Monique Edelstein

É curioso como nos chocamos ao perceber que as coisas saíram bem, mesmo contrariando nossas expectativas.
Quantas vezes nos dirigimos a alguém já com idéias pré-concebidas de que seremos mal atendidos, de que teremos de lidar com um sem número de obstáculos e dificuldades, e ainda enfrentaremos problemas que sequer imaginamos.
Para nosso espanto, frequentemente nada disso acontece. Somos surpreendidos com o exato oposto das nossas piores suposições.
O projeto caminha de forma natural, a equipe responde à pressão, soluções inovadoras surgem na hora do cafezinho, os obstáculos são contornados com bom humor e ficam para trás.
E isso nos espanta, é como se estivéssemos torcendo para não dar certo, ficamos incrédulos frente ao sucesso, frente à conquista do objetivo.
Pior ainda é que somos capazes de virar para a equipe e proferir a famosa frase - “não acredito que conseguimos!”
O que sua equipe pensa nesse dado momento pode variar, mas com certeza não é algo positivo, coisas desse tipo:
• Não seríamos capazes?
• O projeto foi mal dimensionado?
• Nossos recursos não atendem às necessidades?
• Nosso chefe aceitou um desafio com a certeza de que falharíamos?
Como você negocia um novo projeto para sua área? Com base em quais aspectos você aceita um desafio que levará para a sua equipe?
Como apresenta este desafio para a equipe e como divide as tarefas dentro do grupo? Quem decide quem fará o que?
Muitas vezes, na ânsia de conquistar alguns pontos frente à nossa liderança acabamos por aceitar projetos sem a devida avaliação, assumindo riscos no lugar de compromissos.
Algo nos faz duvidar que nossa equipe ou fornecedores possam atender nossas necessidades e mesmo assim oferecemos o desafio. Muitas vezes com uma ponta de dúvida que aparece bastante clara seja em nossa fala, ao nosso olhar, em nossa forme de expressar o assunto ou nas frases que deixamos escapar, do tipo “você tem certeza de que é capaz de me entregar isso?” Repetidas vezes ao longo da conversa. “olha que esse projeto é fundamental para a minha posição”, como se não fosse importante para os executores.
Fazer com que equipes bem formadas sejam capazes de superar os mais difíceis obstáculos e saírem fortificadas, depende única e exclusivamente da sua liderança.
A constituição equipe feita de diferentes forças e características pode oferecer um leque de soluções maiores e possibilita o desenvolvimento de projetos cada vez mais audaciosos.
Lembrando que o que motiva pessoas são desafios proporcionais aos seus conhecimentos, o reconhecimento de suas habilidades e competências e a possibilidade de evoluir diariamente erramos feio ao reduzir a motivação e a remuneração dos indivíduos.
A remuneração é obrigação cumprida, a recompensa financeira. Dura no máximo três meses. O reconhecimento e a valorização do individuo duram para sempre.

Quem sabe para onde o próximo passo pode nos levar?

Monique Edelstein

Alguém já disse que em uma jornada o primeiro passo é o mais importante. Concordo em parte. O primeiro passo é, sob certos aspectos, fundamental, é o primeiro degrau a transpor na busca do desenvolvimento pessoal. De outra forma ficaríamos estagnados, paralisados, congelados no tempo e espaço.
Mas... E os próximos?
Uma das coisas que mais escuto é que as pessoas têm medo de transpor esse obstáculo, o que em parte é saudável. O medo nos ajuda preservar a vida e manter os pés no chão. Mas, esse medo do desconhecido não tem como ser debelado se não conhecermos o que está a nossa espera.
Qualquer projeção futura que fazemos baseada em pré-sentimentos, em fatos passados e em aprendizados através da experiência alheia, não passa de pura elucubração.
As chances de que tudo aconteça exatamente como previmos não é lá muito acurada. Com certeza nossa profecia não se realizará, a menos que trabalhemos muito por ela.
O medo mais comum é o de falharmos, diz Theodore Zeldin: “se queremos acertar, temos que dar uma chance ao malogro”. Se eu não der uma chance ao malogro estarei tampouco, ofertando chance ao sucesso, uma vez que eles correm paralelamente. Se quisermos alcançar o sucesso, precisamos estar atentos aos riscos de malogro que nos acompanham e buscarmos formas de liquidá-los à medida que surgirem, pois é impossível prever o que acontecerá.
Cada passo que tomamos é importante e fundamental, pode a qualquer momento nos direcionar para o inesperado, como também para o desejado.
Quem decidirá meus passos serei eu, seja por influencia de terceiros ou escolhas minhas. A decisão final de dar ou não o primeiro passo é minha e apenas minha, a responsabilidade da jornada é minha, o resultado da jornada é meu. Não terei a quem culpar pelo malogro ou aplaudir pelo sucesso.
O fato é que há quem tema muito mais ao sucesso do que ao fracasso. O sucesso, uma vez alcançado, faz com que se instale um sentido de que agora não podemos mais afundar e que o nível de exigência só subirá, que a partir daquele momento nada será aceito exceto o melhor e isso faz com que recuemos e baixemos o nível da nossa própria exigência.
E isso ocorre simplesmente porque nosso medo é de que podemos falhar lá na frente, de novo, o mesmo medo alimentando o ciclo.
Não há como saber com certeza absoluta o que irá acontecer, mas é possível cercar-se de informações e indicadores que sinalizam a qualidade da rota, e se houver algum alerta teremos tempo para corrigir o que for necessário.
Pense no significado da palavra experimentar. Pense no significado da palavra acompanhar. Pense no significado da palavra alcançar.

27 outubro, 2009

Ser – Ter

Monique Edelstein

Está cada vez mais difícil achar pessoas que SÃO. A maioria hoje parece que apenas TEM.
Eu quero ter mesmo aquele carro ou eu preciso ter aquele carro para impressionar ou afirmar minha posição dentro do meu circulo de amigos? Onde estão os meus desejos?
O risco de se transformar em algo que pode ser perdido, tomado ou mesmo tirado de você, o faz com sujeito a se transformar em um B.O.
Reflita por um instante sobre o que você representa, sobre quem você é para seus amigos, colegas de trabalho, para sua família. Reflita também, sobre qual a razão de você relacionar-se com algumas pessoas.
Se você precisasse se mudar repentinamente e recomeçar sua vida em outro lugar muito distante, onde ninguém lhe conhecesse e nunca teria a possibilidade de saber de seu passado, o que você levaria em sua bagagem? Observe bem esta mala que você aprontou e verifique a razão de suas escolhas.
Vivemos em um mundo capitalista, competitivo onde as aparências contam e muito. Se você for a uma loja comprar uma TV, o vendedor não tem como saber o limite de seu cartão nem se você vai pagar em dinheiro vivo, mas ele pode lhe avaliar pelos seus sapatos, pela sua bolsa e isso acaba se tornando importante para você.
Estamos abrindo mão de muitas coisas em nome de uma necessidade cada vez maior de possuirmos bens que possam nos representar, deixando de lado relações que nos farão falta no futuro.
A cada dia as famílias estão mais separadas pelas suítes super equipadas com computadores individuais e mais uma parafernália eletrônica que nos permite conexões virtuais, olho no olho não tem mais graça, o abraço gostoso e reconfortante é cafona. Não vou comentar do namoro virtual, isso seria tema para um livro.
As pessoas estão cada vez mais sozinhas, as queixas de solidão e isolamento são cada vez mais freqüentes e mesmo assim, o movimento maior é o do isolamento e uma vida de aparência. Se eu disser que me sinto só serei ridicularizado ou visto como um fraco. Mas se todos puderem ver meu novo carro, então sim, eu serei aceito e considerado bem sucedido.
Adoro as coisas que o dinheiro pode comprar principalmente aquelas que incluem minha família e amigos ao meu lado. Nossas risadas, nossas piadas velhas e decoradas, mas que ainda nos fazem rir feito bobos. São os meus desejos que realizo.
Quando alguém, em minha frente se espanta por ter encontrado uma resposta, minha alma se ilumina. Um sorriso de alívio vale muito na minha moeda, a satisfação de ver alguém mais feliz por ter encontrado um caminho de mais serenidade, a satisfação de saber que aquela pessoa se vai melhor do que veio. Eu sou abençoada, não trabalho um só dia, eu exerço aquilo a que vim.
E você, quando se deita sonha viver qual vida?

04 outubro, 2009

Qual a razão do meu trabalho?

Monique Edelstein

“Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida”. Confúcio
O trabalho, mais do que uma obrigação, deveria ser fonte de realização, de satisfação com resultados obtidos, um meio para que cada indivíduo obtenha aquilo que deseja; para que desenvolva aquilo que gosta; que gera prazer e satisfação. O que observamos, entretanto, são pessoas infelizes, insatisfeitas, pessoas que se transformaram em seus cargos, carros, casas e que usam seus trabalhos não como meio de satisfação pessoal, mas como via de obtenção de uma imagem que se pretende alcançar.
A velha expressão – matar um leão por dia – é hoje uma grande verdade, a cada amanhecer nos preparamos para uma batalha, nos armamos, nos enfiamos para dentro de nossas couraças e máscaras e caminhamos para o ringue, muitas vezes escudados por um veículo que sofre com pancadas, freadas bruscas, arrancadas, fechadas e buracos.
Parece que a cada amanhecer nos preparamos para uma guerra sangrenta, que vai custar a vida ou a carreira de alguém. Que não seja a minha!
O que levou você a escolher esta profissão? Quando você participou do processo seletivo que o colocou nesta empresa, você teve o cuidado de também selecionar a empresa onde gostaria de trabalhar?
O que o mantém nesta posição ou organização? Se você tivesse o poder de escolha permaneceria onde está? Se ganhasse sozinho na mega sena, continuaria a fazer a mesma coisa?
Já falei outras vezes que essa vida não é ensaio, é a vida acontecendo enquanto estamos fazendo planos para quando emagrecermos, ganharmos salários de 4 dígitos, há sempre alguma condição para que possamos assumir nossos sonhos e vivê-los.
Em um livro “infantil”, Adriana Falcão diz que o sucesso é quando você faz algo que sabe fazer bem e todo mundo vê.
Se não podemos oferecer aquilo que não temos dentro de nós mesmos, como será possível liderar uma equipe ou mesmo um projeto sem paixão por ele?
Como inspirar pessoas a me acompanhar em um caminho se eu mesmo não estou inspirado?
Pense bem se existe outro caminho onde você pode fazer melhor o que faz, ou mesmo quem sabe encontrar a paixão no que está fazendo, talvez falte um pouco mais de sentimento para o seu hoje.
De tanto ouvir o refrão de que trabalho não é diversão, deixamos de procurar o prazer em nossas obrigações, deixamos escapar a alegria daquilo que fazemos.
Procure lançar novos olhares ao seu dia a dia, busque esse brilho no seu olhar para que possa transmitir àqueles ao seu redor e quem sabe desta forma melhorar um pouquinho o mundo a sua volta.

01 junho, 2009

Onde se aprende a liderança?

Monique Edelstein

Desde pequenos desenvolvemos formas de obter aquilo que queremos.
O bebe chora, a criança faz birra, a menina bonita usa do seu charme, o menino esperto usa de sua astúcia, e assim, cada um vai treinando uma diferente forma de chegar onde quer.
Alguns têm maior tendência ao comando e alguns preferem seguir, natural, ainda bem que temos as duas frentes, alguém precisa fazer. Uma idéia não é nada até que se transforme em algo palpável.
Já repararam que crianças são muito mais comportadas com estranhos do que com os pais?
Seu filho vai dormir na casa do amigo e você se espanta quando a mãe do amiguinho diz que ele se comportou muito bem!
O que isso significa? Pare para pensar. Seu filho sabe como lidar com situações e como tirar delas o que deseja.
E assim ele vai crescendo e desenvolvendo seu banco de dados de soluções para o futuro. E são estas soluções que ele aplicará em sua vida adulta, com o repertório de palavras e ações pertinentes (às vezes não tão pertinentes assim!!)
Quando adultos fazemos exatamente o que fazíamos quando crianças apenas de uma forma mais adaptada ao ambiente. Se você olhar bem de perto vai ver aquela menininha usando seu sorriso que derretia o coração do Papi, num formato que atende às demandas do ambiente e adaptando algumas ações.
A maneira como lidamos com nossas frustrações são idênticas à de nossa criança interna.
O estilo de liderança ou a forma de lidar com um líder estão se formando no início de nossas vidas e simplesmente não se pensa nisso ao longo da formação.
“Ele faz tênis, isso ajuda a ter um espírito de lutador e de seguir metas”, “ele faz vôlei e com isso aprende a trabalhar em equipe”, “ele frequenta aulas de idiomas, isto o prepara para falar com o mundo”, etc.
Quantas pessoas você conhece que tem o mais alto nível de formação em inglês, passou 15 anos em uma escola e na hora de abrir a boca para falar, simplesmente não fala, não é capaz de formar uma única frase.
Ele não teve oportunidade de exercer de fato a sua competência de liderança, de arcar com conseqüências de escolhas erradas, de celebrar as escolhas certas. De analisar e pensar estrategicamente em algo significativo diferente de como mentir ou esconder uma nota baixa.
Ele passará no vestibular, obterá uma graduação de renome. Mas, será que apenas isto é suficiente para que ele se posicione frente a um grupo de executivos, a frente de um grupo de acionistas, que ele seja capaz de formar uma equipe e conduzi-la ao sucesso?
Será o suficiente para que ao final de um dia ele sinta que está cumprindo um papel e que está de fato fazendo a diferença no mundo?
Que liderança este jovem irá praticar em sua vida adulta e quem estará lá para ampará-lo quando precisar se erguer de um tombo se ele não puder fazer isso sozinho?

25 maio, 2009

A Ratoeira


Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos.
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa! A galinha, disse:
- Desculpe-me Senhor Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me incomoda.
O rato foi até o porco e lhe disse:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
- Desculpe-me Senhor Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse:
- O que Senhor Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia caído na ratoeira. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia prendido a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher... O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou seu cutelo (pequeno facão) e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral.
O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que, quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.

03 abril, 2009

Como administrar esse ruído?

Monique Edelstein

Seja você o líder ou o integrante de uma equipe pensa que sua equipe não vai chegar onde você quer, ou, ao ouvir a meta, sabe que não será alcançada.
Então estamos combinados, o líder finge que lidera e a equipe finge que é liderada!? É esse o cenário que observamos hoje na maioria das organizações?
Em alguma parte do caminho deixamos de lado a preocupação de nos fazer entender, e esquecemos que nem todo mundo pensa como nós, que existem pessoas com percepções e compreensões diferentes, e que a leitura que cada um faz é particular e impregnada de filtros que comprometem a compreensão imediata. Observa-se então que um dos primeiros passos de eliminação dos ruídos é a comunicação clara e transparente.
O líder que pretende de fato ter suas metas alcançadas deve buscar o entendimento absoluto da realidade de sua organização e é com suas equipes que ele obterá tal entendimento. Temos então outro passo que é a integração da liderança com as equipes, o envolvimento entre todos os participantes da Jornada.
Se há algum integrante desta equipe que pretende deliberadamente sabotar os planos, é de se imaginar que não há um alinhamento quanto aos propósitos e valores neste grupo. Mais uma vez encontramos outra prática, que é a de conhecer cada um dos meus gestores, estabelecer alinhamento não apenas quanto às metas, mas principalmente quanto aos valores praticados dentro desta organização. O mesmo pode se aplicar quando imaginamos que um adulto responsável deva ser coagido, forçado a fazer o seu melhor!!
Manter em sua equipe um gestor que crê que as decisões venham da liderança é estimular a acomodação, é aceitar que um profissional graduado apenas responda a um comando, que este profissional aceite que sua equipe aja desta mesma forma. Temos então, uma equipe acomodada, que não se mobilizará para o crescimento e desenvolvimento, nem seu nem do negócio. Um líder que aceita em suas equipes um profissional acomodado pagará a conta.
O artigo que mais falta hoje nas organizações é a comunicação. Não estou falando de emails, memorandos e atas de reunião, estou falando de comunicar uma idéia e esta ser compreendida por todos os envolvidos.
Reflita rapidamente quando foi a última vez que algo que você falou foi perfeitamente compreendido e o resultado foi exatamente aquele que você esperava.
Quantas vezes você tem ouvido: “Eu não compreendi desta forma.”
Quantas vezes você saiu de uma reunião se perguntando: “Do que se tratava?”

08 março, 2009

Pra frente é que se anda...

Monique Edelstein

O meu sentimento é de impotência, de que sou pequena para fazer uma grande diferença, mas, pra frente é que se anda, então, vou fazendo pequenas diferenças...
O meu sentimento é de vergonha, de que vivo em um país lindo, talvez o mais lindo do mundo, mas deixo que o destruam e faço quase nada, mas, pra frente é que se anda, então, vou usando sacola reciclável, produzindo pouco lixo, não dando propina para o guarda, sendo responsável e tentando ser correta...

O meu sentimento é de asfixia, de que a cada dia que passa mais tarefas ou responsabilidades vão caindo no meu colo e que eu não vou dar conta de tudo, mas, pra frente é que se anda, então, eu vou fazendo o que dá, e às vezes, subo à superfície para respirar um ar fresco e essa superfície são meus amigos, meus sobrinhos, minha pequena, mas muito amada família.

O meu sentimento é de pavor, pavor de não atender às expectativas que depositaram em mim, pavor de errar, pavor de não ser boa o bastante, um monte de pavores, mas, pra frente é que se anda, então eu vou enfrentando um pavor de cada vez. Se não sei a resposta, vou buscar, se não sei o caminho pergunto, se não atendi expectativas, vou rever o contrato.

O meu sentimento é de isolamento, de que a cada dia que passa estamos mais distantes de outros seres humanos, que como eu, também se sentem isolados, segregados, separados, mas, pra frente é que se anda, então, eu vou me colocando a disposição, vou insistindo em manter por perto pessoas que me são caras, vou garantindo que pessoas que me procurem se sintam ouvidas e amparadas de verdade...

Meu sentimento é de incompreensão, de não ser compreendida e de muitas vezes não compreender os outros, mas, pra frente é que se anda, então eu vou tomando cuidado com o que digo e a forma como digo e confirmando se fui compreendida e não desistindo de alguém até que tenha de fato compreendido o que me foi dito...

Meu sentimento é de ansiedade de querer abraçar o mundo, de querer estar em todo o lugar, de querer fazer tudo que acho legal, e não conseguir fazer quase nada, de não ter tempo ou grana para fazer tudo o que sonho, mas, pra frente é que se anda, então eu vou abraçando o que está ao meu alcance, viajo quando é possível para onde é viável, tomando o cuidado de manter meus sonhos todos eles bem acordados e por perto. Nunca se sabe quando a oportunidade vai aparecer...

Meu sentimento é de felicidade plena, felicidade porque eu tenho bênçãos em minha vida, porque eu tenho vontade, porque a cada dia minha caixa de lápis de cor ganhas novas nuances, novos tons e a cada dia que eu acordo, vejo a possibilidade de naquele dia ir além do que já fui e chegar onde nunca estive.

Pra frente é que se anda sim. A estrada que se construiu atrás de mim, foi construída com cada um destes sentimentos e tantos outros e é cada um destes sentimentos que me cutucam a cada manhã a sair da cama e caminhar para frente para construir, realizar, plantar, colher, ser feliz e realizar meus sonhos.

Quem me inspirou a este texto foi a Marli Gonçalves com o seu projeto
colheitadesentimentos@gmail.com.
Acesse o endereço e mande o seu sentimento para ela também.
Qual o seu sentimento?

02 março, 2009

O besouro tem tudo para dar errado

Monique Edelstein

Será que o besouro é surdo? Será que ele tem audição seletiva e escolhe não ouvir o que não lhe ajuda?
Se você olhar tecnicamente, o besouro não tem a menor estrutura para ser um voador. Sua carapaça é pesada e grande, suas asas pequenas e aparentemente frágeis, sua forma pode ser tudo menos aerodinâmica, mas, quem foi que se esqueceu de avisá-lo sobre tudo isso?
Ele simplesmente abre sua carapaça, bate suas asas e sai voando, e se bater em algo, e daí? Ele começa de novo e chega onde quer, obtém o que foi buscar.
O que o besouro faz diferente de nós que temos tudo o que precisamos para obter o que desejamos e que se não tivermos, podemos tratar de desenvolver?
Com certeza você conhece a história de pessoas que tinham tudo para dar errado e que “surpreenderam” realizando muito mais do que se imaginava possível.
Seriam estas pessoas feitas de um material especial e diferenciado? Pois afirmo, não são não, são feitos do mesmo material que todos os demais, são tão seres humanos como outros.
O que diferencia estas pessoas é que elas acreditam em seu poder realizador e que seus sonhos são importantes o bastante para serem levados a sério.
O que os diferencia é a força de vontade de enfrentar desafios que muitas vezes nem são encarados como desafios e sim como apenas uma nova etapa.
Enquanto eu encarar cada desafio como maior do que meu poder de superá-lo, vou desprender energia desnecessariamente, energia esta que seria muito mais útil em outro momento. Mas não, eu fico em frente ao obstáculo desperdiçando um tempo precioso em lamúrias, suposições, delírios, nada que de fato se preste à solução.
Mais curioso ainda é que eu prefiro ouvir aqueles que me desencorajam, que me desestimulam, que insistem em apontar somente os pontos negativos e dificuldades, do que ouvir aqueles que acreditam em buscar algo mais, que acreditam que todo sonho é atingível. Eu ESCOLHO não ouvir estes.
Experimente por uma semana pegar emprestados os ouvidos de um besouro, ouça o que lhe serve para a construção, considere menos aos palpites de pouca confiança e pouca credibilidade.
Tente bater suas asas e observe aonde pode chegar, qual a distância que pode voar, mas tenha certeza de que sua carapaça aguenta o tombo e cuide para não cair de costas.
Tomando certos cuidados, avaliando certos riscos, com certeza poderá chegar mais longe!

24 fevereiro, 2009

Por que nos tempos escuros se escreve com tinta invisível? (Neruda – O Livro das perguntas)

Monique Edelstein

Ai Neruda, essas suas perguntas!!!
Justo quando estamos com mais medo de ir em frente é que recuamos mais, justo quando precisamos falar o que deve ser dito, nos calamos, justo quando a dor é insuportável, seguramos o grito!!
Na hora de falar a verdade usamos de subterfúgios, na hora da dor, disfarçamos de alegria, na hora de sermos nós mesmos, nos escondemos na máscara de algum personagem que um dia nos disseram que era o nosso papel e nós aceitamos.
Por que será tão difícil usar a tinta que qualquer um poderia ler, por que é tão difícil sermos transparentes e claros quanto ao que vai em nossos corações e cabeças?
E o mais incrível é que depois questionamos o porquê de ninguém compreender o que queremos. Ainda nos perguntamos por que será que ninguém nos entende, “Não é possível, eu tenho que fazer tudo sozinho mesmo!!!”
Naturalmente tememos expor nosso eu mais frágil, temos receio de que ao pedir por ajuda nos transformemos em reféns, em pessoas fracas. Justo na hora que mais precisamos desta ajuda nos boicotamos, apenas para doer um pouco mais.
Dá muito trabalho sustentar uma pose, sustentar uma condição que não é natural, mas mesmo assim, teimamos, batemos cabeça, até que chega um momento que o inevitável surge. Cedo ou tarde, a máscara cai e então, muito sem jeito e sem prática, não há alternativa que a de não ser claro, e então, como uma represa cuja comporta se rompeu, uma enxurrada de falas desconexas, sentimentos misturados, emoções confusas são lançadas em direção àquele que abriu as comportas, sem nem mesmo se dar conta disso.
E a tinta deixa de ser transparente para ser espessa por demais. É preciso refinar a tinta, filtrar, tirar os grumos que se formaram para então podermos escrever clara e legivelmente o que desejamos.
Será que temos medo de ser felizes? Será que a possibilidade de uma vida realizada é tão assustadora assim?
Mesmo infelizes insistimos em continuar a escrever em tinta invisível apenas para continuarmos infelizes.
É duro admitir, eu sei, mas... de que cor está a sua tinta?

16 fevereiro, 2009

Será a felicidade tão exigente assim?

Monique Edelstein

O que você precisa para ser feliz? Ser mais rico, ser mais bonito, ser mais instruído?
O que você precisa para se dar conta de que já possui o necessário para ser feliz?
Eu tinha uma garrafa de Moet, guardada para uma ocasião especial, e sempre que olhava para a garrafa algo me vinha como razão para esperar mais um pouco.
Esperar mais o que??? O que me aguardava o dia de amanhã, o que ele me traria que valesse mais a pena do que aquele momento onde eu estava com pessoas queridas, todos saudáveis, um dia de sol maravilhoso, cachorro para um lado, crianças para o outro. Naquele momento nada podia me fazer sentir mais alegria. Então, alguém decidiu, vamos a Moet!!! E lá fomos, e eu posso garantir que aquela hora foi a hora.
O que nos impede de nos crermos felizes é que exigimos demais desta Senhora Felicidade, que exige tão pouco de nós.
Parece que nunca a merecemos, que passa ao nosso lado, que não nos enxerga.
Enquanto você espera por uma razão para encontrar com a Felicidade ela está lá, cansada de esperar que você a chame para compartilhar com você a sua vida.
Um cheiro bom, uma comida gostosa, o som da risada de uma criança, o seu cachorro lhe esperando em casa, o preparativo para uma viagem tão esperada, um filme com as amigas, um cobertor gostoso com o seu amor.
Levantar-se de sua cama e poder escolher viver um dia feliz, escolher dar bom dia com um sorriso no rosto, deixar que o carro ao lado entre na sua frente, pequenas atitudes que podem modificar tudo ao seu redor.
Chame a Felicidade para a sua vida que ela vem! Ela não é assim tão exigente.
A felicidade é simples, ela não precisa de fogos de artifício, não precisa de vestido de gala. (Já tive momentos muito felizes de chinelos).
Não é ser uma Polyana, mas ser alguém que acredita na possibilidade de que pode sim atuar sobre a própria vida construindo um ambiente em torno de si onde se possa valer a pena viver.
Olhar o outro lado da dor, da dúvida, tudo tem pelo menos dois lados, algumas coisas tem até mais do que dois. E quem sabe não é lá outro lado que está a Felicidade brincando de esconde- esconde conosco só pra arrancar um sorriso de nossos lábios.
Tenha a coragem de assumir que você pode ser feliz sim e que depende muito mais de você se permitir.
Agora me diga: O que te faz feliz? O que acalma seu coração? Que música toca na sua alma?
O que você está esperando para ouvir esta música?

Os papéis que vivemos

Monique Edelstein

Mesmo antes de nascer nosso papel dentro da família começa a ser definido.
O time que iremos torcer, a profissão que desenvolveremos, o que receberemos de nossos pais que eles não receberam dos pais deles, como seremos educados, com quem andaremos, seremos amigos de quem. Se formos o primeiro filho, sonhos são depositados sobre nossas vidas, dependendo se for menino ou menina, cada um destes sonhos pode assumir uma proporção diferente.
O fato é: nosso papel é determinado antes mesmo que possamos realizar nossa primeira respiração.
Se é de nosso agrado ou não, isso pouco influencia, uma vez que “criança não tem querer” e nossos pais sabem “o que é o melhor para nós”. Fazem isso com a melhor das boas intenções. E então, aceitamos o papel e vivemos nossas vidas muitas vezes dentro de um sapato que machuca o pé.
Quando na idade adulta, permanecemos aceitando papeis que nos são oferecidos porque é o que se espera de nós.
Se nos rebelamos e decidimos que algo deve mudar porque não está OK, enfrentamos resistências ferrenhas de todos os lados. Isso ocorre porque, uma vez que mudamos nossos caminhos, nossos comportamentos, nossas respostas ao mundo, aqueles que conosco convivem precisam repensar os seus papeis também, e, na maioria das vezes, um ou outro não está disposto a mudar, está confortável em seu papel, apenas obedecendo, apenas indo com a maré.
A mudança é muitas vezes um caminho sem volta. O lugar antigo não me atrai mais, eu sinto que não caibo mais naquele molde. É como se a pele tivesse ficado pequena e eu tivesse que rasgar e jogá-la fora.
É preciso coragem, força de vontade, disciplina, atenção a todos os sinais que devem ser observados, a tentação de não desagradar pessoas queridas, a tentação de não ter que assumir a responsabilidade de minhas escolhas, o conforto de ter a quem culpar.
Uma vez me disseram, “Eu descobri que precisava de um chefe para ter a quem culpar!”
Pois é, hoje esse corajoso e dedicado empresário vive a glória de ter encontrado seu caminho, de se responsabilizar por suas decisões e de se congratular pelos seus sucessos. O papel que ele representava não mais existe, dando espaço a uma vida mais criativa e rica de experiências boas, algumas nem tanto, faz parte do jogo. Mas ele está feliz. Muito feliz.
Eu lhe pergunto: no papel que você está vivendo, em qual capítulo é que o sentimento de gratificação e satisfação começarão a aparecer?
Há garantia de que irão aparecer? Quem será o culpado no caso de que o roteiro previsto não se apresente?
O que você pode fazer agora para garantir que esse momento chegará à sua vida?

08 fevereiro, 2009

Muito obrigado! Ah! Não foi nada!

Monique Edelstein

Quanta educação não é mesmo?
Alguém nos pede algo, fazemos e ao recebermos um agradecimento, disparamos um “Imagina, não foi nada!!!”
Cada um tem qualidades únicas, talentos particulares, habilidades individuais e por cada uma dessas características somos reconhecidos.
Uma vez que eu reconheça não ter habilidade para realizar algo e saiba que um colega é tremendamente habilidoso, que o que eu levaria horas para solucionar, ele surge com a resposta em minutos, e resposta de qualidade, significa que reconheço no outro a capacidade e reconheço em mim a não capacidade para tal. Afinal, somos seres humanos e como tal, incompletos, (creio ser bem aqui que reside a beleza das relações humanas, embora às vezes seja um tantinho difícil de superar) busco então, minha complementaridade no outro.
Desde pequenos fomos “educados” a não fazer alarde sobre o que somos, sobre o que fazemos bem, sobre nossas qualidades, e então, quando adultos, temos que demonstrar essas qualidades, elaborar cartas de apresentação, Currículos fabulosos, falar de nossos feitos, de nossas realizações, exibirmos nossas melhores habilidades e competências.
Para aplacarmos o “feio” sentimento de exibicionismo, nos esmeramos na apresentação e fechamos com um humilde “Imagina, foi fácil!”
Pensa então o outro: “Foi fácil para você, eu não tenho a menor idéia de como chegar a isso!”.
Resta então um sentimento amargo para ambos. Observe: você se esforçou sim, a solução que você apresentou levou anos de seu desenvolvimento para chegar a este ponto e ao outro, assume que não houve esforço seu. Ao solicitante, uma sensação de derrota, de incompetência, “nem o meu agradecimento vale”!
Pense bem, o que é fácil para você pode ser perturbador para seu colega, e vice-versa.
Receber agradecimentos e reconhecimento é uma arte que na vida adulta precisamos reaprender, precisamos compreender que ser reconhecido e aceitar de coração aberto só faz aumentar nossa satisfação em realizar aquilo que gostamos e fazemos bem. Além do que permite ao outro uma porta sempre aberta por onde trocas podem ocorrer sem temores.
As relações humanas são isso, são trocas constantes. Dizia Platão que os seres humanos são incompletos e que precisam encontrar sua outra parte.

Nossos julgamentos nos distraem da verdade

Monique Edelstein

Quantas vezes já nos pegamos como que espanando de nossas idéias e pensamentos algumas verdades por crer que não serão compreendidas ou mesmo aceitas?
Quantas vezes buscamos por justificativas de comportamentos e atitudes para adaptar as respostas recebidas à nossa imobilidade?
Quantas vezes, mesmo sabendo que o caminho a ser desenvolvido é um, concordamos com outro, por medo de assumirmos nossas verdades?
Quantas vezes ocultamos nossas verdades por julgarmos que o Universo ao nosso entorno não entenderia ou aceitaria nossas propostas. O que não fazemos apenas com as nossas propostas, muitas vezes já elevamos nossas vozes para dizer: “Você ta maluco! Isso nunca vai acontecer!” ou então, “Imagina só se isso pode dar certo nessa empresa!”, ou ainda, em pensamento: “Eu é que não vou abrir a minha boca!” para logo em seguida, alguém surgir com a mesma solução e ela ser prontamente aceita pelo grupo com alvoroço. (Como você se sente nesse momento?)
Nossos julgamentos são isso, uma grande armadilha no processo de desenvolvimento de nossas vidas, são os filtros que construímos ao longo do tempo e que nos refreiam por razões inexplicáveis, e, quando olhamos para traz o que vemos é um trilho de oportunidade perdidas.
Então, garantimos para nós mesmos que da próxima vez será diferente. Qual nada, voltamos a montar nossas próprias armadilhas. Definitivamente não precisamos de nenhuma ajuda para essa tarefa.
Para as verdades alheias então, temos um caminhão de explicações e justificativas. Sempre julgando saber mais, o que é melhor para todos, que, neste caso seria, não mexer no frágil castelo de cartas marcadas.
Por que impedimos o processo da busca do novo, de encontrar alternativas, de sair da caixa, de correr riscos?
O que nos faz julgar que a ação é certa ou errada? Quanto medo eu tenho de acertar?
Dizem que nosso maior medo é o de brilhar, que o que nos assusta é assumirmos nosso papel frente ao mundo. Que medo é esse?
O nosso julgamento está a serviço da nossa evolução ou da nossa paralisia?

01 fevereiro, 2009

Sua carreira é um cheque ao portador?

Monique Edelstein

Algumas frases caem em nosso colo e traduzem claramente horas de conversa. Almoçando com uma querida amiga, ouvi: “Meus amigos me dizem que eu faço o que aparecer, é como um cheque ao portador”, o que para ela está perfeitamente OK. Ela está muito feliz e satisfeita, por razões que apenas a ela interessam.
Então, como uma avalanche, me lembrei das inúmeras vezes que ouvi “O que eu estou fazendo aqui?”, “Como vim parar aqui?”, “Onde eu estava com a cabeça quando aceitei esse desafio?”, “Fui estudar isso porque meu pai é um grande profissional desta área!”, “Um dia eu vou fazer o que eu gosto, mas agora não dá.” E por aí afora.
Tenho certeza de que seja como emissor ou como ouvinte, estas e outras frases já povoaram seus pensamentos. Certamente estas pessoas não estão felizes com tal situação.
Então eu lhe pergunto: Sua carreira é um cheque ao portador?
Você já se perguntou qual objetivo está buscando? Há alguma chance de que você esteja correndo por uma trilha que o levará a um destino diferente daquele que você busca? Ou ainda, você está nadando, nadando e tem a sensação de que vai morrer na praia, que a cada dia, o seu objetivo parece mais distante?
Todo seu esforço tem atendido aos objetivos de quem? Quem é o portador dos seus resultados? E estes resultados são os que você buscou?
O movimento natural do ser humano é atender às expectativas externas, seguir a carreira do pai, ingressar em um segmento do momento, etc. Poucas vezes pensamos em fazer aquilo que gostamos mesmo que não seja a “tradição”, isso assusta, causa estranheza entre aqueles que nos cercam e que se preocupam com “garantia de futuro”. Crescemos ouvindo que trabalho é obrigação, que a vida de um adulto é cheia de obrigações, que diversão não enche barriga, que você não tem que gostar, tem que trabalhar.
A questão é que fazemos bem aquilo que nos propomos, mas fazemos melhor ainda aquilo que gostamos, aquilo que acelera nosso coração, aquilo que nos divertimos fazendo, que faz nossos olhos brilharem. Quando acontece o casamento entre o que eu faço com o que eu gosto, o sucesso é inevitável, o caminho para o resultado é claro, não há obstáculo capaz de nos deter, eles simplesmente parecem não existir, e se existem, são menores do que a vontade de chegar lá.
Pegue sua folha de cheque e leia o que está escrito na linha “pagar à”. Caso não seja o seu nome escrito em letras maiúsculas reflita e decida. Faça sua escolha, esteja consciente de que foi você quem decidiu o nome do portador.