O que é Coaching e como pode me ajudar?

O Coaching é um processo com começo, meio e fim, fundamentado em bases teóricas consistentes validadas cientificamente, suportado por ferramentas e metodologia. Trata-se de uma relação de parceria entre o Coach (profissional especializado) e o Coachee (a pessoa interessada em se desenvolver), onde o Coach faz o papel daquele que instiga o Coachee a refletir e encontrar as respostas que necessita para evoluir em suas aspirações, sejam elas em quais áreas forem.

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27 maio, 2011

A felicidade interna não é bruta, ela é sutil

Monique Edelstein

Felicidade é um biquíni tamanho P, Felicidade é dirigir o carro X, Felicidade é fumar o cigarro X, Felicidade é viajar para tal lugar, etc................
Toda hora, em todo lugar alguém gentilmente nos informa o que é felicidade, de acordo com o produto que se quer vender, com isso, vai se incorporando em nossas mentes que a felicidade é algo que eu preciso obter que eu preciso comprar que eu preciso ter.
Muito bem, mais de um mês de distancia entre o Bhutan e eu, hoje de manhã me dou conta de que a felicidade não é bruta, ela é sutil, delicada, sensível, leve, não tem para vender em loja, não tem para comprar na esquina.
Ela está no lugar mais difícil de alcançar, que foi onde os Deuses a colocaram em um dia de muita zanga com os seres humanos, “vamos colocá-la aonde eles nunca irão procurar, dentro de cada um”.
Ontem me perguntaram se as pessoas são mesmo felizes por aquelas montanhas, e eu me dou conta que sim, elas têm a delicadeza real da felicidade, são serenos, pacíficos, gentis, amistosos, generosos, suaves, movem-se devagar, apreciam a natureza, param para admirar uma árvore cheia de magnólias com um fundo de montanhas cheias de neve, dão bom dia mesmo a estranhos, com um sorriso no rosto, dão passagem nas ruas, sim, eles são felizes.
Na minha estupidez ocidental custei a perceber que os óculos com os quais eu os estava “avaliando” estão bastante embaçados e precisando urgentemente de uma limpeza e que aos poucos essa limpeza está se fazendo e me permitindo VER melhor o que vivi.
A felicidade esta sim dentro de cada um de nós, em baixo da pilha de desejos e “tenhos que ter”.

15 novembro, 2010

The Invitation

Oriah Mountain Dreamer
It doesn't interest me what you do for a living. I want to know what you ache for and if you dare to dream of meeting your heart's longing.
It doesn't interest me how old you are. I want to know if you will risk looking like a fool for love, for your dream, for the adventure of being alive.
It doesn't interest me what planets are squaring your moon. I want to know if you have touched the centre of your own sorrow, if you have been opened by life's betrayals or have become shrivelled and closed from fear of further pain.
I want to know if you can sit with pain, mine or your own, without moving to hide it, or fade it, or fix it.
I want to know if you can be with joy, mine or your own; if you can dance with wildness and let the ecstasy fill you to the tips of your fingers and toes without cautioning us to be careful, be realistic, remember the limitations of being human.
It doesn't interest me if the story you are telling me is true. I want to know if you can disappoint another to be true to yourself. If you can bear the accusation of betrayal and not betray your own soul. If you can be faithless and therefore trustworthy.
I want to know if you can see Beauty even when it is not pretty every day. And if you can source your own life from its presence.
I want to know if you can live with failure, yours and mine, and still stand at the edge of the lake and shout to the silver of the full moon, 'Yes.'
It doesn't interest me to know where you live or how much money you have. I want to know if you can get up after the night of grief and despair, weary and bruised to the bone and do what needs to be done to feed the children.
It doesn't interest me who you know or how you came to be here. I want to know if you will stand in the centre of the fire with me and not shrink back.
It doesn't interest me where or what or with whom you have studied. I want to know what sustains you from the inside when all else falls away.
I want to know if you can be alone with yourself and if you truly like the company you keep in the empty moments.

18 maio, 2010

Our Deepest Fear

Marianne Williamson
Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness that most frightens us. We ask ourselves, Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, fabulous? Actually, who are you not to be? You are a child of God. Your playing small does not serve the world. There is nothing enlightened about shrinking so that other people won't feel insecure around you. We are all meant to shine, as children do. We were born to make manifest the glory of God that is within us. It's not just in some of us; it's in everyone. And as we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same. As we are liberated from our own fear, our presence automatically liberates others.

04 março, 2010

Mar sem fim

Amyr Klink
“… Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

27 outubro, 2009

Ser – Ter

Monique Edelstein

Está cada vez mais difícil achar pessoas que SÃO. A maioria hoje parece que apenas TEM.
Eu quero ter mesmo aquele carro ou eu preciso ter aquele carro para impressionar ou afirmar minha posição dentro do meu circulo de amigos? Onde estão os meus desejos?
O risco de se transformar em algo que pode ser perdido, tomado ou mesmo tirado de você, o faz com sujeito a se transformar em um B.O.
Reflita por um instante sobre o que você representa, sobre quem você é para seus amigos, colegas de trabalho, para sua família. Reflita também, sobre qual a razão de você relacionar-se com algumas pessoas.
Se você precisasse se mudar repentinamente e recomeçar sua vida em outro lugar muito distante, onde ninguém lhe conhecesse e nunca teria a possibilidade de saber de seu passado, o que você levaria em sua bagagem? Observe bem esta mala que você aprontou e verifique a razão de suas escolhas.
Vivemos em um mundo capitalista, competitivo onde as aparências contam e muito. Se você for a uma loja comprar uma TV, o vendedor não tem como saber o limite de seu cartão nem se você vai pagar em dinheiro vivo, mas ele pode lhe avaliar pelos seus sapatos, pela sua bolsa e isso acaba se tornando importante para você.
Estamos abrindo mão de muitas coisas em nome de uma necessidade cada vez maior de possuirmos bens que possam nos representar, deixando de lado relações que nos farão falta no futuro.
A cada dia as famílias estão mais separadas pelas suítes super equipadas com computadores individuais e mais uma parafernália eletrônica que nos permite conexões virtuais, olho no olho não tem mais graça, o abraço gostoso e reconfortante é cafona. Não vou comentar do namoro virtual, isso seria tema para um livro.
As pessoas estão cada vez mais sozinhas, as queixas de solidão e isolamento são cada vez mais freqüentes e mesmo assim, o movimento maior é o do isolamento e uma vida de aparência. Se eu disser que me sinto só serei ridicularizado ou visto como um fraco. Mas se todos puderem ver meu novo carro, então sim, eu serei aceito e considerado bem sucedido.
Adoro as coisas que o dinheiro pode comprar principalmente aquelas que incluem minha família e amigos ao meu lado. Nossas risadas, nossas piadas velhas e decoradas, mas que ainda nos fazem rir feito bobos. São os meus desejos que realizo.
Quando alguém, em minha frente se espanta por ter encontrado uma resposta, minha alma se ilumina. Um sorriso de alívio vale muito na minha moeda, a satisfação de ver alguém mais feliz por ter encontrado um caminho de mais serenidade, a satisfação de saber que aquela pessoa se vai melhor do que veio. Eu sou abençoada, não trabalho um só dia, eu exerço aquilo a que vim.
E você, quando se deita sonha viver qual vida?

09 setembro, 2009

Medo do novo?

Monique Edelstein

Você se lembra quando pela primeira vez visitou uma nova cidade? Você precisou de um tempo para saber onde era melhor fazer compras, qual o melhor caminho e opções de transporte para chegar lá, onde tinha o café mais gostoso. E mesmo que alguém do local sugerisse algo, você precisou achar o que você gostava. Com certeza acertou e errou, se surpreendeu, se decepcionou, enfim, experimentou diferentes sensações e sentimentos até que se sentisse seguro e confiante.
Essa sensação de não saber ao certo para que lado virar, se a decisão tomada foi a mais acertada. Como é o novo? Quem sabe pré-dizer como será? Quem sabe a resposta sobre o futuro???
A cada dia mais e mais pessoas falam da importância da mudança, até lojas fazem concursos onde a pergunta é: “A minha maior mudança foi”.
Nosso cérebro resiste, “Como assim você quer fazer diferente? Eu já estou acostumado com este caminho e este peptídeo me agrada muito, vou ativar o centro do medo e você vai voltar atrás!”
Se o nosso próprio cérebro resiste, quem dirá aqueles que estão ao nosso redor. Vale lembrar que ao provocarmos mudanças, forçamos as pessoas modificarem seus comportamentos para conosco.
Use o seu passado como aprendizado, não despreze o que você viveu até este momento. Não seria justo. Nosso passado fará sempre parte da construção de nosso presente, não há como separar-se do quem fui, é este “quem fui” quem constrói o “quem serei”.
Perceba o quanto saímos fortalecidos de cada um destes momentos. O questionamento é importante assim como o autoconhecimento, mas a autocompaixão também é. Todos nós temos limites que devem ser respeitados, quebrados, jogados fora, para isso precisamos saber quem somos e como lidar com a possibilidade de erro, do acerto, do neutro.
Isso não é ensaio, é a vida, acontecendo enquanto fazemos planos para ela, já cantava John Lennon.
Coragem e energia. Se cair levanta e desenvolve a musculatura. Ninguém disse que não podemos chorar também e nos lamentar, apenas estamos usando nossa energia em outra direção. Não desperdice muito tempo nesta etapa. Qual atitude me dará melhores resultados? Qual delas me levará onde quero ir?
Ouvi outro dia uma expressão que adorei: “Modo autopolêmico”, aquele no qual ficamos remoendo o que poderia ter sido e não foi. Abandone este modo e parta para outro.
Isso é viver, isso é ter valido a pena. Meia vida, vida na retaguarda é desperdício.
Você tem essa força, use-a em seu benefício, seja feliz, brigue pelos seus sonhos. Transforme cada um deles em realidade.
Um forte abraço, e conte sempre comigo na sua trilha.

01 junho, 2009

Onde estão se formando os futuros lideres?

Monique Edelstein

Onde estão se formando aqueles que ocuparão as cadeiras da liderança num futuro próximo?
A) Nos bancos das melhores Universidades do País?
B) Nos bancos das melhores escolas do País?
C) Em suas casas?
D) Nas danceterias e baladas?

Quem está formando estes futuros líderes?
A) Os professores de escolas renomadas?
B) Os motoristas ou babas ou arrumadeiras?
C) Os pais?
D) Os colegas?

Pois é! Nossos futuros lideres ainda são quase adolescentes ou quanto muito jovens adultos, muito jovens adultos.
Na configuração atual de nossa civilização, onde pai e mãe tampouco obtiveram lá muitas orientações e, portanto, não estão preparados para dá-las. Onde ambos trabalham exaustivamente para pagar a formação de seus filhos. Onde ambos sentem-se drenados em sua energia e o mais fácil é concordar do que argumentar. Onde nota-se claramente que pessoas estão perdidas, não tem a menor idéia de qual rumo seguir.
Lá atrás quando escolheram suas carreiras, o fizeram baseados em premissas muito mais externas a si mesmos do que de fato em atenção a um sonho ou desejo de realização.
Não havia sentido para tal, e, afinal de contas, “sonho não paga conta nem sustenta família”. “Olhe para seu pai, que carreira brilhante”, ou então, “olhe para seu pai, se matou a vida toda para lhe dar um estudo e agora você quer ser XXXX” (qualquer coisa que você sonhava diferente deles).
Será que estamos repetindo o papel de nossos pais, será que alguma vez paramos para pensar como seria diferente termos seguido um sonho? Mesmo que você tenha realizado uma carreira brilhante e seja reconhecido. E se você tivesse corrido atrás de seu sonho? Provavelmente teria obtido o mesmo o maior sucesso.
Voltemos aos nossos futuros líderes.
Quem está cuidando deste futuro? As notas em matemática estão ótimas, já em história nem tanto. Mas ele vai passar no vestibular, do que mesmo??? Será que é isso que ele vai fazer bem? Ele será um profissional capaz de liderar uma equipe em direção a uma meta estabelecida?
Na vida profissional as respostas não estarão em um livro. Que recursos internos ele possui que o habilitem a decidir, a fazer escolhas, a comandar uma empresa?
A hora de pensar o amanhã é agora, eu preciso pensar no cuidado com a semente se eu quiser colheita saudável em todos os níveis da vida desta pessoa. Não basta sucesso na carreira à custa de fracasso na vida pessoal.
Qual a base que está se formando para este futuro líder? Ele tem alguma percepção de como será seu futuro enquanto profissional? Ele sabe quais são suas limitações e como eliminá-las? Ele tem recursos internos consistentes para tomar decisões?

Onde se aprende a liderança?

Monique Edelstein

Desde pequenos desenvolvemos formas de obter aquilo que queremos.
O bebe chora, a criança faz birra, a menina bonita usa do seu charme, o menino esperto usa de sua astúcia, e assim, cada um vai treinando uma diferente forma de chegar onde quer.
Alguns têm maior tendência ao comando e alguns preferem seguir, natural, ainda bem que temos as duas frentes, alguém precisa fazer. Uma idéia não é nada até que se transforme em algo palpável.
Já repararam que crianças são muito mais comportadas com estranhos do que com os pais?
Seu filho vai dormir na casa do amigo e você se espanta quando a mãe do amiguinho diz que ele se comportou muito bem!
O que isso significa? Pare para pensar. Seu filho sabe como lidar com situações e como tirar delas o que deseja.
E assim ele vai crescendo e desenvolvendo seu banco de dados de soluções para o futuro. E são estas soluções que ele aplicará em sua vida adulta, com o repertório de palavras e ações pertinentes (às vezes não tão pertinentes assim!!)
Quando adultos fazemos exatamente o que fazíamos quando crianças apenas de uma forma mais adaptada ao ambiente. Se você olhar bem de perto vai ver aquela menininha usando seu sorriso que derretia o coração do Papi, num formato que atende às demandas do ambiente e adaptando algumas ações.
A maneira como lidamos com nossas frustrações são idênticas à de nossa criança interna.
O estilo de liderança ou a forma de lidar com um líder estão se formando no início de nossas vidas e simplesmente não se pensa nisso ao longo da formação.
“Ele faz tênis, isso ajuda a ter um espírito de lutador e de seguir metas”, “ele faz vôlei e com isso aprende a trabalhar em equipe”, “ele frequenta aulas de idiomas, isto o prepara para falar com o mundo”, etc.
Quantas pessoas você conhece que tem o mais alto nível de formação em inglês, passou 15 anos em uma escola e na hora de abrir a boca para falar, simplesmente não fala, não é capaz de formar uma única frase.
Ele não teve oportunidade de exercer de fato a sua competência de liderança, de arcar com conseqüências de escolhas erradas, de celebrar as escolhas certas. De analisar e pensar estrategicamente em algo significativo diferente de como mentir ou esconder uma nota baixa.
Ele passará no vestibular, obterá uma graduação de renome. Mas, será que apenas isto é suficiente para que ele se posicione frente a um grupo de executivos, a frente de um grupo de acionistas, que ele seja capaz de formar uma equipe e conduzi-la ao sucesso?
Será o suficiente para que ao final de um dia ele sinta que está cumprindo um papel e que está de fato fazendo a diferença no mundo?
Que liderança este jovem irá praticar em sua vida adulta e quem estará lá para ampará-lo quando precisar se erguer de um tombo se ele não puder fazer isso sozinho?

02 março, 2009

O besouro tem tudo para dar errado

Monique Edelstein

Será que o besouro é surdo? Será que ele tem audição seletiva e escolhe não ouvir o que não lhe ajuda?
Se você olhar tecnicamente, o besouro não tem a menor estrutura para ser um voador. Sua carapaça é pesada e grande, suas asas pequenas e aparentemente frágeis, sua forma pode ser tudo menos aerodinâmica, mas, quem foi que se esqueceu de avisá-lo sobre tudo isso?
Ele simplesmente abre sua carapaça, bate suas asas e sai voando, e se bater em algo, e daí? Ele começa de novo e chega onde quer, obtém o que foi buscar.
O que o besouro faz diferente de nós que temos tudo o que precisamos para obter o que desejamos e que se não tivermos, podemos tratar de desenvolver?
Com certeza você conhece a história de pessoas que tinham tudo para dar errado e que “surpreenderam” realizando muito mais do que se imaginava possível.
Seriam estas pessoas feitas de um material especial e diferenciado? Pois afirmo, não são não, são feitos do mesmo material que todos os demais, são tão seres humanos como outros.
O que diferencia estas pessoas é que elas acreditam em seu poder realizador e que seus sonhos são importantes o bastante para serem levados a sério.
O que os diferencia é a força de vontade de enfrentar desafios que muitas vezes nem são encarados como desafios e sim como apenas uma nova etapa.
Enquanto eu encarar cada desafio como maior do que meu poder de superá-lo, vou desprender energia desnecessariamente, energia esta que seria muito mais útil em outro momento. Mas não, eu fico em frente ao obstáculo desperdiçando um tempo precioso em lamúrias, suposições, delírios, nada que de fato se preste à solução.
Mais curioso ainda é que eu prefiro ouvir aqueles que me desencorajam, que me desestimulam, que insistem em apontar somente os pontos negativos e dificuldades, do que ouvir aqueles que acreditam em buscar algo mais, que acreditam que todo sonho é atingível. Eu ESCOLHO não ouvir estes.
Experimente por uma semana pegar emprestados os ouvidos de um besouro, ouça o que lhe serve para a construção, considere menos aos palpites de pouca confiança e pouca credibilidade.
Tente bater suas asas e observe aonde pode chegar, qual a distância que pode voar, mas tenha certeza de que sua carapaça aguenta o tombo e cuide para não cair de costas.
Tomando certos cuidados, avaliando certos riscos, com certeza poderá chegar mais longe!

24 fevereiro, 2009

O que guarda dentro de ti?

Monique Edelstein

Hoje me surpreendi com uma revelação que me fez refletir sobre pessoas que são como um lago de águas calmas, porém profundas e outras como um oceano.
Quando vistos de longe, estes lagos inspiram tranqüilidade, serenidade, paz, reflexão e quietude.
Conhecer este lago já é outra história, quem sabe o que há lá em baixo. Quem já se aventurou e voltou para contar, que mistérios estão guardados lá onde nem a luz pode alcançar, que tesouros estão escondidos, que verdades foram enterradas e que medos estão aprisionados?
Já outras pessoas me parecem o Oceano Pacífico que de pacífico tem muito pouco. Águas sempre revoltas, ondas enormes, barulhento, golfinhos saltam revelando parte dos mistérios, baleias gigantes atravessam milhas para se alimentarem e para ter seus filhotes. Revelam-se na clareza de suas águas, na pouca profundidade de alguns pontos e muitos se aventuram, muitos contam o que viram - muito se sabe do que há lá em baixo - convidam à exploração.
Assim são as pessoas. O que vemos muitas vezes é apenas a superfície, algumas marolas, uma ou outra folhagem boiando, mas é lá em baixo, um pouco mais no fundo, que segredos, conhecimentos, experiências, tesouros e a história de suas vidas estão armazenados, onde ninguém pode ver. Ou então, está mostrando, convidando à visita, deixando à mostra o que há para ser visto.
Quanto tempo nos dedicamos a compreender de fato o que está guardado e quanto cuidado tomamos nesta exploração?
E em nossas águas, onde estão nossos lagos e onde estão nossos oceanos?
Privamo-nos e a outros de nossas riquezas deixando-as mergulhadas num fundo inexplorável e não possível de ser vivido. Que possibilidades estamos abrindo mão de viver e de compartilhar?
Nossas águas nos revelam outras vezes nos ocultam, outras ainda nos disfarçam.
Por que escolhemos o que mostrar e o que guardar? Qual é o critério determinante dessa escolha?
E o medo que temos de nos afogar nas partes mais escuras que nos impede de mergulhar e buscar pelo que está lá, à nossa espera, para ser vivido: uma lembrança doída, uma saudade funda, um amor guardado, um sonho sufocado?
Por quais águas estamos navegando? Por qual água cada um está navegando?

Por que nos tempos escuros se escreve com tinta invisível? (Neruda – O Livro das perguntas)

Monique Edelstein

Ai Neruda, essas suas perguntas!!!
Justo quando estamos com mais medo de ir em frente é que recuamos mais, justo quando precisamos falar o que deve ser dito, nos calamos, justo quando a dor é insuportável, seguramos o grito!!
Na hora de falar a verdade usamos de subterfúgios, na hora da dor, disfarçamos de alegria, na hora de sermos nós mesmos, nos escondemos na máscara de algum personagem que um dia nos disseram que era o nosso papel e nós aceitamos.
Por que será tão difícil usar a tinta que qualquer um poderia ler, por que é tão difícil sermos transparentes e claros quanto ao que vai em nossos corações e cabeças?
E o mais incrível é que depois questionamos o porquê de ninguém compreender o que queremos. Ainda nos perguntamos por que será que ninguém nos entende, “Não é possível, eu tenho que fazer tudo sozinho mesmo!!!”
Naturalmente tememos expor nosso eu mais frágil, temos receio de que ao pedir por ajuda nos transformemos em reféns, em pessoas fracas. Justo na hora que mais precisamos desta ajuda nos boicotamos, apenas para doer um pouco mais.
Dá muito trabalho sustentar uma pose, sustentar uma condição que não é natural, mas mesmo assim, teimamos, batemos cabeça, até que chega um momento que o inevitável surge. Cedo ou tarde, a máscara cai e então, muito sem jeito e sem prática, não há alternativa que a de não ser claro, e então, como uma represa cuja comporta se rompeu, uma enxurrada de falas desconexas, sentimentos misturados, emoções confusas são lançadas em direção àquele que abriu as comportas, sem nem mesmo se dar conta disso.
E a tinta deixa de ser transparente para ser espessa por demais. É preciso refinar a tinta, filtrar, tirar os grumos que se formaram para então podermos escrever clara e legivelmente o que desejamos.
Será que temos medo de ser felizes? Será que a possibilidade de uma vida realizada é tão assustadora assim?
Mesmo infelizes insistimos em continuar a escrever em tinta invisível apenas para continuarmos infelizes.
É duro admitir, eu sei, mas... de que cor está a sua tinta?

16 fevereiro, 2009

Os papéis que vivemos

Monique Edelstein

Mesmo antes de nascer nosso papel dentro da família começa a ser definido.
O time que iremos torcer, a profissão que desenvolveremos, o que receberemos de nossos pais que eles não receberam dos pais deles, como seremos educados, com quem andaremos, seremos amigos de quem. Se formos o primeiro filho, sonhos são depositados sobre nossas vidas, dependendo se for menino ou menina, cada um destes sonhos pode assumir uma proporção diferente.
O fato é: nosso papel é determinado antes mesmo que possamos realizar nossa primeira respiração.
Se é de nosso agrado ou não, isso pouco influencia, uma vez que “criança não tem querer” e nossos pais sabem “o que é o melhor para nós”. Fazem isso com a melhor das boas intenções. E então, aceitamos o papel e vivemos nossas vidas muitas vezes dentro de um sapato que machuca o pé.
Quando na idade adulta, permanecemos aceitando papeis que nos são oferecidos porque é o que se espera de nós.
Se nos rebelamos e decidimos que algo deve mudar porque não está OK, enfrentamos resistências ferrenhas de todos os lados. Isso ocorre porque, uma vez que mudamos nossos caminhos, nossos comportamentos, nossas respostas ao mundo, aqueles que conosco convivem precisam repensar os seus papeis também, e, na maioria das vezes, um ou outro não está disposto a mudar, está confortável em seu papel, apenas obedecendo, apenas indo com a maré.
A mudança é muitas vezes um caminho sem volta. O lugar antigo não me atrai mais, eu sinto que não caibo mais naquele molde. É como se a pele tivesse ficado pequena e eu tivesse que rasgar e jogá-la fora.
É preciso coragem, força de vontade, disciplina, atenção a todos os sinais que devem ser observados, a tentação de não desagradar pessoas queridas, a tentação de não ter que assumir a responsabilidade de minhas escolhas, o conforto de ter a quem culpar.
Uma vez me disseram, “Eu descobri que precisava de um chefe para ter a quem culpar!”
Pois é, hoje esse corajoso e dedicado empresário vive a glória de ter encontrado seu caminho, de se responsabilizar por suas decisões e de se congratular pelos seus sucessos. O papel que ele representava não mais existe, dando espaço a uma vida mais criativa e rica de experiências boas, algumas nem tanto, faz parte do jogo. Mas ele está feliz. Muito feliz.
Eu lhe pergunto: no papel que você está vivendo, em qual capítulo é que o sentimento de gratificação e satisfação começarão a aparecer?
Há garantia de que irão aparecer? Quem será o culpado no caso de que o roteiro previsto não se apresente?
O que você pode fazer agora para garantir que esse momento chegará à sua vida?

08 fevereiro, 2009

Muito obrigado! Ah! Não foi nada!

Monique Edelstein

Quanta educação não é mesmo?
Alguém nos pede algo, fazemos e ao recebermos um agradecimento, disparamos um “Imagina, não foi nada!!!”
Cada um tem qualidades únicas, talentos particulares, habilidades individuais e por cada uma dessas características somos reconhecidos.
Uma vez que eu reconheça não ter habilidade para realizar algo e saiba que um colega é tremendamente habilidoso, que o que eu levaria horas para solucionar, ele surge com a resposta em minutos, e resposta de qualidade, significa que reconheço no outro a capacidade e reconheço em mim a não capacidade para tal. Afinal, somos seres humanos e como tal, incompletos, (creio ser bem aqui que reside a beleza das relações humanas, embora às vezes seja um tantinho difícil de superar) busco então, minha complementaridade no outro.
Desde pequenos fomos “educados” a não fazer alarde sobre o que somos, sobre o que fazemos bem, sobre nossas qualidades, e então, quando adultos, temos que demonstrar essas qualidades, elaborar cartas de apresentação, Currículos fabulosos, falar de nossos feitos, de nossas realizações, exibirmos nossas melhores habilidades e competências.
Para aplacarmos o “feio” sentimento de exibicionismo, nos esmeramos na apresentação e fechamos com um humilde “Imagina, foi fácil!”
Pensa então o outro: “Foi fácil para você, eu não tenho a menor idéia de como chegar a isso!”.
Resta então um sentimento amargo para ambos. Observe: você se esforçou sim, a solução que você apresentou levou anos de seu desenvolvimento para chegar a este ponto e ao outro, assume que não houve esforço seu. Ao solicitante, uma sensação de derrota, de incompetência, “nem o meu agradecimento vale”!
Pense bem, o que é fácil para você pode ser perturbador para seu colega, e vice-versa.
Receber agradecimentos e reconhecimento é uma arte que na vida adulta precisamos reaprender, precisamos compreender que ser reconhecido e aceitar de coração aberto só faz aumentar nossa satisfação em realizar aquilo que gostamos e fazemos bem. Além do que permite ao outro uma porta sempre aberta por onde trocas podem ocorrer sem temores.
As relações humanas são isso, são trocas constantes. Dizia Platão que os seres humanos são incompletos e que precisam encontrar sua outra parte.

Nossos julgamentos nos distraem da verdade

Monique Edelstein

Quantas vezes já nos pegamos como que espanando de nossas idéias e pensamentos algumas verdades por crer que não serão compreendidas ou mesmo aceitas?
Quantas vezes buscamos por justificativas de comportamentos e atitudes para adaptar as respostas recebidas à nossa imobilidade?
Quantas vezes, mesmo sabendo que o caminho a ser desenvolvido é um, concordamos com outro, por medo de assumirmos nossas verdades?
Quantas vezes ocultamos nossas verdades por julgarmos que o Universo ao nosso entorno não entenderia ou aceitaria nossas propostas. O que não fazemos apenas com as nossas propostas, muitas vezes já elevamos nossas vozes para dizer: “Você ta maluco! Isso nunca vai acontecer!” ou então, “Imagina só se isso pode dar certo nessa empresa!”, ou ainda, em pensamento: “Eu é que não vou abrir a minha boca!” para logo em seguida, alguém surgir com a mesma solução e ela ser prontamente aceita pelo grupo com alvoroço. (Como você se sente nesse momento?)
Nossos julgamentos são isso, uma grande armadilha no processo de desenvolvimento de nossas vidas, são os filtros que construímos ao longo do tempo e que nos refreiam por razões inexplicáveis, e, quando olhamos para traz o que vemos é um trilho de oportunidade perdidas.
Então, garantimos para nós mesmos que da próxima vez será diferente. Qual nada, voltamos a montar nossas próprias armadilhas. Definitivamente não precisamos de nenhuma ajuda para essa tarefa.
Para as verdades alheias então, temos um caminhão de explicações e justificativas. Sempre julgando saber mais, o que é melhor para todos, que, neste caso seria, não mexer no frágil castelo de cartas marcadas.
Por que impedimos o processo da busca do novo, de encontrar alternativas, de sair da caixa, de correr riscos?
O que nos faz julgar que a ação é certa ou errada? Quanto medo eu tenho de acertar?
Dizem que nosso maior medo é o de brilhar, que o que nos assusta é assumirmos nosso papel frente ao mundo. Que medo é esse?
O nosso julgamento está a serviço da nossa evolução ou da nossa paralisia?

01 fevereiro, 2009

Ligado no 220 w sem disjuntor

Monique Edelstein

Ao ler este título você pensou em alguém que conhece?
É uma verdadeira montanha russa. Hora o sujeito tem muita energia, às vezes dispersa um pouco, mas realiza, demanda, delega, ajuda ou atrapalha, empolgante, inspirador, uma verdadeira máquina de fazer. É o primeiro a assumir novas tarefas, sempre acumulando projetos, fazendo de tudo um pouco, entende de tudo, resolve o problema de todo mundo, não desliga o celular, está sempre conectado. Para ele não tem hora, não tem fim de semana... nem para ele nem para sua equipe!
De repente, o transformador explode e então vem a ressaca. Começa a lamentação de que ninguém atende sua demanda, ninguém consegue fazer como ele, todos são tão demorados que ele tem que cobrar a toda hora pelos resultados que demoram a chegar.
A produção despenca, sua energia se transforma de ação em lamúrias. Isso quando não psicossomatiza, gerando afastamento por doença, stress sem controle.
O equilíbrio entre ação e descanso é um disjuntor, o respeito às diferenças individuais é outro, o autoconhecimento mais um, o respeito a si mesmo e seus limites outro.
Um líder com este perfil impede o livre andamento de sua equipe, o desenvolvimento destes profissionais, que não encontram espaço para atuar e acabam por se acomodar, descansando enquanto seu líder trabalha ou ainda desistindo de fazer parte desta equipe por não verem possibilidade de crescimento.
Ser um ou conviver com um “220 sem disjuntor” pode ser cansativo.
Se você se identificou com a descrição acima, observe a qualidade do relacionamento que você desenvolve com seus colegas no trabalho, com seus amigos, com sua família.
Quais as razões que o levam a estar sempre em busca de mais atribuições? Mesmo que inconscientemente, o que você busca alcançar?
Você está feliz e saudável com essa escolha? E suas próprias necessidades, em que lugar estão nas suas listas de tarefas?
O que você vem usando como disjuntor? Onde está buscando renovar suas energias?
Você pode atender às demandas, desde que sua vida esteja em equilíbrio, desde que isso não lhe traga um fardo, que seja por prazer de fazer. Não há nada que você não possa, apenas lembre-se de que para que continue fazendo, é preciso que esteja em condições emocionais e físicas para a ação.
Você está em condições emocionais e físicas para a ação? Pode ficar melhor?

26 janeiro, 2009

Propósito da vida

Monique Edelstein

Buckminster Fuller diz que o propósito da vida é acrescentar valor à vida das pessoas desta geração e das seguintes.
Nossa vida afeta de maneira positiva ou não a vida de todos aqueles que convivem diretamente conosco e de forma indireta à mais inúmeras outras pessoas.
Se eu não colocar a minha peça no tabuleiro do jogo,alguém vai colocar a dele.
Que talentos ando desperdiçando? O que eu tenho de único que poderia estar oferecendo, mas me escondo atrás de justificativas que efetivamente não constroem nada?
Vamos lá, eu sei que você tem, todos temos! Ache a sua peça e traga-a agora para o tabuleiro do jogo da vida.
Aquele que imagina que pode prever 100% do que irá acontecer corre o sério risco de ser surpreendido. Você só pode saber o que irá acontecer de fato, quando estiver lá.
Imagine que você pega a mesma estrada todas as semanas, sente-se seguro, confortável, confiante, sabe cada curva, cada sinalização, um dia, de repente, sem aviso algum, um buraco se abriu no asfalto e sua estrada não é mais a mesma. E agora, o que fazer? Como prosseguir a viagem?
Podemos fazer uma previsão aproximada, ter a certeza é apenas uma bela e adequada desculpa para que o primeiro passo não seja dado.
O autoconhecimento é peça chave para que estejamos aptos a lidar com imprevistos. Tudo o que você precisa saber já esta dentro de você, basta que você tome consciência e então, terá o leme em suas mãos, deixando de ser um seguidor e se transformando em um condutor.
Diz Marianne Williamson: "O nosso maior medo não é não sermos bons o bastante. Nosso maior medo é sermos fortes além da medida. É a nossa luz, não a nossa escuridão, que nos assusta. Nós nos perguntamos quem somos para ser brilhante, belo, talentoso e notável? Na verdade, quem você não é para ser assim? Você é filho de Deus. Bancar o pequeno não ajuda o mundo em nada. Não há nada dignificante no ato de se diminuir para que os outros não se sintam mal à sua volta. Nascemos para manifestar a glória de Deus presente em nós. Ela não está apenas em alguns, está em todos nós. E, ao deixarmos a nossa própria luz brilhar, damos permissão inconscientemente às outras pessoas para fazer o mesmo. No momento que nos libertamos do nosso próprio medo, a nossa presença liberta automaticamente outras pessoas”.

Tempo

Monique Edelstein

Sêneca diz: “Certos momentos nos são tomados, outros, nos são furtados e outros ainda se perdem no vento. Mas a coisa mais lamentável é perder tempo por negligência”, “Enquanto adiamos, a vida se vai”, “Por isso me indigno com aqueles que desperdiçam com coisas supérfluas a maior parte desse tempo que já não é suficiente para as coisas necessárias”, “O valor da vida não está em sua duração, mas no uso que dela pode ser feito”, “Faço isso de modo que cada dia seja para mim a vida toda”. Poderia continuar suas falas, mas creio que basta para o início desta reflexão.
TEMPO: o mais democrático de todos os recursos. Todos temos 24 horas para viver em um dia, não há diferença entre raças, credos ou classe social. Temos as mesmas 24 horas. O que fazemos com elas é que irá nos diferenciar.
Como vamos viver cada um dos minutos depende de tantas variáveis, algumas controláveis e outras não, que podemos nos perder entre elas e, infelizmente, é o que acaba por acontecer com a maioria de nós.
A vida vem me exigindo algumas despedidas, que me deixam profundamente triste, mas, por outro lado, me fazem ter ainda mais vontade de tornar a minha vida algo relevante.
Não sei até quando poderei exercer o meu direito de fazer algo relevante, então, que seja feito a cada minuto, a cada dia, a partir de já.
Em 1851, no teto do Panthéon de Paris, foi fixado um Pendulo de Foucault. A idéia é demonstrar o movimento de rotação da Terra em relação a um referencial. Ele não para. A Terra não para seu movimento de rotação.
Quando me vi a frente deste Pendulo tive que admitir que minhas desculpas não fariam a Terra parar de girar, o tempo parar de correr e que se eu quisesse, de fato, ter a certeza de que a minha existência valeu, qualquer que fosse a minha ação deveria se iniciar imediatamente.
Que planos você vem fazendo? O que está lhe faltando para ir em frente e agir? O que é preciso acontecer ainda para que os seus sonhos comecem a sair da idéia e comecem a se tornar realidade?
Não nascemos com um marcador que avisa que nosso tempo está se esgotando. Não tem aviso prévio, não tem prova de recuperação, não em acordo.
O que será da sua existência cabe somente a você determinar. A escolha é sua. Quando sua vida vai começar? Quando sua vida começará a fazer a diferença na vida de outras pessoas?