O que é Coaching e como pode me ajudar?

O Coaching é um processo com começo, meio e fim, fundamentado em bases teóricas consistentes validadas cientificamente, suportado por ferramentas e metodologia. Trata-se de uma relação de parceria entre o Coach (profissional especializado) e o Coachee (a pessoa interessada em se desenvolver), onde o Coach faz o papel daquele que instiga o Coachee a refletir e encontrar as respostas que necessita para evoluir em suas aspirações, sejam elas em quais áreas forem.

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Bem vindo (a)! A idéia é que você leia o que procura, busque nos marcadores o tema de seu interesse.

01 junho, 2009

Onde estão se formando os futuros lideres?

Monique Edelstein

Onde estão se formando aqueles que ocuparão as cadeiras da liderança num futuro próximo?
A) Nos bancos das melhores Universidades do País?
B) Nos bancos das melhores escolas do País?
C) Em suas casas?
D) Nas danceterias e baladas?

Quem está formando estes futuros líderes?
A) Os professores de escolas renomadas?
B) Os motoristas ou babas ou arrumadeiras?
C) Os pais?
D) Os colegas?

Pois é! Nossos futuros lideres ainda são quase adolescentes ou quanto muito jovens adultos, muito jovens adultos.
Na configuração atual de nossa civilização, onde pai e mãe tampouco obtiveram lá muitas orientações e, portanto, não estão preparados para dá-las. Onde ambos trabalham exaustivamente para pagar a formação de seus filhos. Onde ambos sentem-se drenados em sua energia e o mais fácil é concordar do que argumentar. Onde nota-se claramente que pessoas estão perdidas, não tem a menor idéia de qual rumo seguir.
Lá atrás quando escolheram suas carreiras, o fizeram baseados em premissas muito mais externas a si mesmos do que de fato em atenção a um sonho ou desejo de realização.
Não havia sentido para tal, e, afinal de contas, “sonho não paga conta nem sustenta família”. “Olhe para seu pai, que carreira brilhante”, ou então, “olhe para seu pai, se matou a vida toda para lhe dar um estudo e agora você quer ser XXXX” (qualquer coisa que você sonhava diferente deles).
Será que estamos repetindo o papel de nossos pais, será que alguma vez paramos para pensar como seria diferente termos seguido um sonho? Mesmo que você tenha realizado uma carreira brilhante e seja reconhecido. E se você tivesse corrido atrás de seu sonho? Provavelmente teria obtido o mesmo o maior sucesso.
Voltemos aos nossos futuros líderes.
Quem está cuidando deste futuro? As notas em matemática estão ótimas, já em história nem tanto. Mas ele vai passar no vestibular, do que mesmo??? Será que é isso que ele vai fazer bem? Ele será um profissional capaz de liderar uma equipe em direção a uma meta estabelecida?
Na vida profissional as respostas não estarão em um livro. Que recursos internos ele possui que o habilitem a decidir, a fazer escolhas, a comandar uma empresa?
A hora de pensar o amanhã é agora, eu preciso pensar no cuidado com a semente se eu quiser colheita saudável em todos os níveis da vida desta pessoa. Não basta sucesso na carreira à custa de fracasso na vida pessoal.
Qual a base que está se formando para este futuro líder? Ele tem alguma percepção de como será seu futuro enquanto profissional? Ele sabe quais são suas limitações e como eliminá-las? Ele tem recursos internos consistentes para tomar decisões?

Onde se aprende a liderança?

Monique Edelstein

Desde pequenos desenvolvemos formas de obter aquilo que queremos.
O bebe chora, a criança faz birra, a menina bonita usa do seu charme, o menino esperto usa de sua astúcia, e assim, cada um vai treinando uma diferente forma de chegar onde quer.
Alguns têm maior tendência ao comando e alguns preferem seguir, natural, ainda bem que temos as duas frentes, alguém precisa fazer. Uma idéia não é nada até que se transforme em algo palpável.
Já repararam que crianças são muito mais comportadas com estranhos do que com os pais?
Seu filho vai dormir na casa do amigo e você se espanta quando a mãe do amiguinho diz que ele se comportou muito bem!
O que isso significa? Pare para pensar. Seu filho sabe como lidar com situações e como tirar delas o que deseja.
E assim ele vai crescendo e desenvolvendo seu banco de dados de soluções para o futuro. E são estas soluções que ele aplicará em sua vida adulta, com o repertório de palavras e ações pertinentes (às vezes não tão pertinentes assim!!)
Quando adultos fazemos exatamente o que fazíamos quando crianças apenas de uma forma mais adaptada ao ambiente. Se você olhar bem de perto vai ver aquela menininha usando seu sorriso que derretia o coração do Papi, num formato que atende às demandas do ambiente e adaptando algumas ações.
A maneira como lidamos com nossas frustrações são idênticas à de nossa criança interna.
O estilo de liderança ou a forma de lidar com um líder estão se formando no início de nossas vidas e simplesmente não se pensa nisso ao longo da formação.
“Ele faz tênis, isso ajuda a ter um espírito de lutador e de seguir metas”, “ele faz vôlei e com isso aprende a trabalhar em equipe”, “ele frequenta aulas de idiomas, isto o prepara para falar com o mundo”, etc.
Quantas pessoas você conhece que tem o mais alto nível de formação em inglês, passou 15 anos em uma escola e na hora de abrir a boca para falar, simplesmente não fala, não é capaz de formar uma única frase.
Ele não teve oportunidade de exercer de fato a sua competência de liderança, de arcar com conseqüências de escolhas erradas, de celebrar as escolhas certas. De analisar e pensar estrategicamente em algo significativo diferente de como mentir ou esconder uma nota baixa.
Ele passará no vestibular, obterá uma graduação de renome. Mas, será que apenas isto é suficiente para que ele se posicione frente a um grupo de executivos, a frente de um grupo de acionistas, que ele seja capaz de formar uma equipe e conduzi-la ao sucesso?
Será o suficiente para que ao final de um dia ele sinta que está cumprindo um papel e que está de fato fazendo a diferença no mundo?
Que liderança este jovem irá praticar em sua vida adulta e quem estará lá para ampará-lo quando precisar se erguer de um tombo se ele não puder fazer isso sozinho?

25 maio, 2009

A Ratoeira


Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos.
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa! A galinha, disse:
- Desculpe-me Senhor Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me incomoda.
O rato foi até o porco e lhe disse:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
- Desculpe-me Senhor Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse:
- O que Senhor Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia caído na ratoeira. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia prendido a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher... O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou seu cutelo (pequeno facão) e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral.
O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que, quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.

03 abril, 2009

Como administrar esse ruído?

Monique Edelstein

Seja você o líder ou o integrante de uma equipe pensa que sua equipe não vai chegar onde você quer, ou, ao ouvir a meta, sabe que não será alcançada.
Então estamos combinados, o líder finge que lidera e a equipe finge que é liderada!? É esse o cenário que observamos hoje na maioria das organizações?
Em alguma parte do caminho deixamos de lado a preocupação de nos fazer entender, e esquecemos que nem todo mundo pensa como nós, que existem pessoas com percepções e compreensões diferentes, e que a leitura que cada um faz é particular e impregnada de filtros que comprometem a compreensão imediata. Observa-se então que um dos primeiros passos de eliminação dos ruídos é a comunicação clara e transparente.
O líder que pretende de fato ter suas metas alcançadas deve buscar o entendimento absoluto da realidade de sua organização e é com suas equipes que ele obterá tal entendimento. Temos então outro passo que é a integração da liderança com as equipes, o envolvimento entre todos os participantes da Jornada.
Se há algum integrante desta equipe que pretende deliberadamente sabotar os planos, é de se imaginar que não há um alinhamento quanto aos propósitos e valores neste grupo. Mais uma vez encontramos outra prática, que é a de conhecer cada um dos meus gestores, estabelecer alinhamento não apenas quanto às metas, mas principalmente quanto aos valores praticados dentro desta organização. O mesmo pode se aplicar quando imaginamos que um adulto responsável deva ser coagido, forçado a fazer o seu melhor!!
Manter em sua equipe um gestor que crê que as decisões venham da liderança é estimular a acomodação, é aceitar que um profissional graduado apenas responda a um comando, que este profissional aceite que sua equipe aja desta mesma forma. Temos então, uma equipe acomodada, que não se mobilizará para o crescimento e desenvolvimento, nem seu nem do negócio. Um líder que aceita em suas equipes um profissional acomodado pagará a conta.
O artigo que mais falta hoje nas organizações é a comunicação. Não estou falando de emails, memorandos e atas de reunião, estou falando de comunicar uma idéia e esta ser compreendida por todos os envolvidos.
Reflita rapidamente quando foi a última vez que algo que você falou foi perfeitamente compreendido e o resultado foi exatamente aquele que você esperava.
Quantas vezes você tem ouvido: “Eu não compreendi desta forma.”
Quantas vezes você saiu de uma reunião se perguntando: “Do que se tratava?”

08 março, 2009

Pra frente é que se anda...

Monique Edelstein

O meu sentimento é de impotência, de que sou pequena para fazer uma grande diferença, mas, pra frente é que se anda, então, vou fazendo pequenas diferenças...
O meu sentimento é de vergonha, de que vivo em um país lindo, talvez o mais lindo do mundo, mas deixo que o destruam e faço quase nada, mas, pra frente é que se anda, então, vou usando sacola reciclável, produzindo pouco lixo, não dando propina para o guarda, sendo responsável e tentando ser correta...

O meu sentimento é de asfixia, de que a cada dia que passa mais tarefas ou responsabilidades vão caindo no meu colo e que eu não vou dar conta de tudo, mas, pra frente é que se anda, então, eu vou fazendo o que dá, e às vezes, subo à superfície para respirar um ar fresco e essa superfície são meus amigos, meus sobrinhos, minha pequena, mas muito amada família.

O meu sentimento é de pavor, pavor de não atender às expectativas que depositaram em mim, pavor de errar, pavor de não ser boa o bastante, um monte de pavores, mas, pra frente é que se anda, então eu vou enfrentando um pavor de cada vez. Se não sei a resposta, vou buscar, se não sei o caminho pergunto, se não atendi expectativas, vou rever o contrato.

O meu sentimento é de isolamento, de que a cada dia que passa estamos mais distantes de outros seres humanos, que como eu, também se sentem isolados, segregados, separados, mas, pra frente é que se anda, então, eu vou me colocando a disposição, vou insistindo em manter por perto pessoas que me são caras, vou garantindo que pessoas que me procurem se sintam ouvidas e amparadas de verdade...

Meu sentimento é de incompreensão, de não ser compreendida e de muitas vezes não compreender os outros, mas, pra frente é que se anda, então eu vou tomando cuidado com o que digo e a forma como digo e confirmando se fui compreendida e não desistindo de alguém até que tenha de fato compreendido o que me foi dito...

Meu sentimento é de ansiedade de querer abraçar o mundo, de querer estar em todo o lugar, de querer fazer tudo que acho legal, e não conseguir fazer quase nada, de não ter tempo ou grana para fazer tudo o que sonho, mas, pra frente é que se anda, então eu vou abraçando o que está ao meu alcance, viajo quando é possível para onde é viável, tomando o cuidado de manter meus sonhos todos eles bem acordados e por perto. Nunca se sabe quando a oportunidade vai aparecer...

Meu sentimento é de felicidade plena, felicidade porque eu tenho bênçãos em minha vida, porque eu tenho vontade, porque a cada dia minha caixa de lápis de cor ganhas novas nuances, novos tons e a cada dia que eu acordo, vejo a possibilidade de naquele dia ir além do que já fui e chegar onde nunca estive.

Pra frente é que se anda sim. A estrada que se construiu atrás de mim, foi construída com cada um destes sentimentos e tantos outros e é cada um destes sentimentos que me cutucam a cada manhã a sair da cama e caminhar para frente para construir, realizar, plantar, colher, ser feliz e realizar meus sonhos.

Quem me inspirou a este texto foi a Marli Gonçalves com o seu projeto
colheitadesentimentos@gmail.com.
Acesse o endereço e mande o seu sentimento para ela também.
Qual o seu sentimento?

02 março, 2009

O besouro tem tudo para dar errado

Monique Edelstein

Será que o besouro é surdo? Será que ele tem audição seletiva e escolhe não ouvir o que não lhe ajuda?
Se você olhar tecnicamente, o besouro não tem a menor estrutura para ser um voador. Sua carapaça é pesada e grande, suas asas pequenas e aparentemente frágeis, sua forma pode ser tudo menos aerodinâmica, mas, quem foi que se esqueceu de avisá-lo sobre tudo isso?
Ele simplesmente abre sua carapaça, bate suas asas e sai voando, e se bater em algo, e daí? Ele começa de novo e chega onde quer, obtém o que foi buscar.
O que o besouro faz diferente de nós que temos tudo o que precisamos para obter o que desejamos e que se não tivermos, podemos tratar de desenvolver?
Com certeza você conhece a história de pessoas que tinham tudo para dar errado e que “surpreenderam” realizando muito mais do que se imaginava possível.
Seriam estas pessoas feitas de um material especial e diferenciado? Pois afirmo, não são não, são feitos do mesmo material que todos os demais, são tão seres humanos como outros.
O que diferencia estas pessoas é que elas acreditam em seu poder realizador e que seus sonhos são importantes o bastante para serem levados a sério.
O que os diferencia é a força de vontade de enfrentar desafios que muitas vezes nem são encarados como desafios e sim como apenas uma nova etapa.
Enquanto eu encarar cada desafio como maior do que meu poder de superá-lo, vou desprender energia desnecessariamente, energia esta que seria muito mais útil em outro momento. Mas não, eu fico em frente ao obstáculo desperdiçando um tempo precioso em lamúrias, suposições, delírios, nada que de fato se preste à solução.
Mais curioso ainda é que eu prefiro ouvir aqueles que me desencorajam, que me desestimulam, que insistem em apontar somente os pontos negativos e dificuldades, do que ouvir aqueles que acreditam em buscar algo mais, que acreditam que todo sonho é atingível. Eu ESCOLHO não ouvir estes.
Experimente por uma semana pegar emprestados os ouvidos de um besouro, ouça o que lhe serve para a construção, considere menos aos palpites de pouca confiança e pouca credibilidade.
Tente bater suas asas e observe aonde pode chegar, qual a distância que pode voar, mas tenha certeza de que sua carapaça aguenta o tombo e cuide para não cair de costas.
Tomando certos cuidados, avaliando certos riscos, com certeza poderá chegar mais longe!

24 fevereiro, 2009

O que guarda dentro de ti?

Monique Edelstein

Hoje me surpreendi com uma revelação que me fez refletir sobre pessoas que são como um lago de águas calmas, porém profundas e outras como um oceano.
Quando vistos de longe, estes lagos inspiram tranqüilidade, serenidade, paz, reflexão e quietude.
Conhecer este lago já é outra história, quem sabe o que há lá em baixo. Quem já se aventurou e voltou para contar, que mistérios estão guardados lá onde nem a luz pode alcançar, que tesouros estão escondidos, que verdades foram enterradas e que medos estão aprisionados?
Já outras pessoas me parecem o Oceano Pacífico que de pacífico tem muito pouco. Águas sempre revoltas, ondas enormes, barulhento, golfinhos saltam revelando parte dos mistérios, baleias gigantes atravessam milhas para se alimentarem e para ter seus filhotes. Revelam-se na clareza de suas águas, na pouca profundidade de alguns pontos e muitos se aventuram, muitos contam o que viram - muito se sabe do que há lá em baixo - convidam à exploração.
Assim são as pessoas. O que vemos muitas vezes é apenas a superfície, algumas marolas, uma ou outra folhagem boiando, mas é lá em baixo, um pouco mais no fundo, que segredos, conhecimentos, experiências, tesouros e a história de suas vidas estão armazenados, onde ninguém pode ver. Ou então, está mostrando, convidando à visita, deixando à mostra o que há para ser visto.
Quanto tempo nos dedicamos a compreender de fato o que está guardado e quanto cuidado tomamos nesta exploração?
E em nossas águas, onde estão nossos lagos e onde estão nossos oceanos?
Privamo-nos e a outros de nossas riquezas deixando-as mergulhadas num fundo inexplorável e não possível de ser vivido. Que possibilidades estamos abrindo mão de viver e de compartilhar?
Nossas águas nos revelam outras vezes nos ocultam, outras ainda nos disfarçam.
Por que escolhemos o que mostrar e o que guardar? Qual é o critério determinante dessa escolha?
E o medo que temos de nos afogar nas partes mais escuras que nos impede de mergulhar e buscar pelo que está lá, à nossa espera, para ser vivido: uma lembrança doída, uma saudade funda, um amor guardado, um sonho sufocado?
Por quais águas estamos navegando? Por qual água cada um está navegando?

Por que nos tempos escuros se escreve com tinta invisível? (Neruda – O Livro das perguntas)

Monique Edelstein

Ai Neruda, essas suas perguntas!!!
Justo quando estamos com mais medo de ir em frente é que recuamos mais, justo quando precisamos falar o que deve ser dito, nos calamos, justo quando a dor é insuportável, seguramos o grito!!
Na hora de falar a verdade usamos de subterfúgios, na hora da dor, disfarçamos de alegria, na hora de sermos nós mesmos, nos escondemos na máscara de algum personagem que um dia nos disseram que era o nosso papel e nós aceitamos.
Por que será tão difícil usar a tinta que qualquer um poderia ler, por que é tão difícil sermos transparentes e claros quanto ao que vai em nossos corações e cabeças?
E o mais incrível é que depois questionamos o porquê de ninguém compreender o que queremos. Ainda nos perguntamos por que será que ninguém nos entende, “Não é possível, eu tenho que fazer tudo sozinho mesmo!!!”
Naturalmente tememos expor nosso eu mais frágil, temos receio de que ao pedir por ajuda nos transformemos em reféns, em pessoas fracas. Justo na hora que mais precisamos desta ajuda nos boicotamos, apenas para doer um pouco mais.
Dá muito trabalho sustentar uma pose, sustentar uma condição que não é natural, mas mesmo assim, teimamos, batemos cabeça, até que chega um momento que o inevitável surge. Cedo ou tarde, a máscara cai e então, muito sem jeito e sem prática, não há alternativa que a de não ser claro, e então, como uma represa cuja comporta se rompeu, uma enxurrada de falas desconexas, sentimentos misturados, emoções confusas são lançadas em direção àquele que abriu as comportas, sem nem mesmo se dar conta disso.
E a tinta deixa de ser transparente para ser espessa por demais. É preciso refinar a tinta, filtrar, tirar os grumos que se formaram para então podermos escrever clara e legivelmente o que desejamos.
Será que temos medo de ser felizes? Será que a possibilidade de uma vida realizada é tão assustadora assim?
Mesmo infelizes insistimos em continuar a escrever em tinta invisível apenas para continuarmos infelizes.
É duro admitir, eu sei, mas... de que cor está a sua tinta?

16 fevereiro, 2009

Será a felicidade tão exigente assim?

Monique Edelstein

O que você precisa para ser feliz? Ser mais rico, ser mais bonito, ser mais instruído?
O que você precisa para se dar conta de que já possui o necessário para ser feliz?
Eu tinha uma garrafa de Moet, guardada para uma ocasião especial, e sempre que olhava para a garrafa algo me vinha como razão para esperar mais um pouco.
Esperar mais o que??? O que me aguardava o dia de amanhã, o que ele me traria que valesse mais a pena do que aquele momento onde eu estava com pessoas queridas, todos saudáveis, um dia de sol maravilhoso, cachorro para um lado, crianças para o outro. Naquele momento nada podia me fazer sentir mais alegria. Então, alguém decidiu, vamos a Moet!!! E lá fomos, e eu posso garantir que aquela hora foi a hora.
O que nos impede de nos crermos felizes é que exigimos demais desta Senhora Felicidade, que exige tão pouco de nós.
Parece que nunca a merecemos, que passa ao nosso lado, que não nos enxerga.
Enquanto você espera por uma razão para encontrar com a Felicidade ela está lá, cansada de esperar que você a chame para compartilhar com você a sua vida.
Um cheiro bom, uma comida gostosa, o som da risada de uma criança, o seu cachorro lhe esperando em casa, o preparativo para uma viagem tão esperada, um filme com as amigas, um cobertor gostoso com o seu amor.
Levantar-se de sua cama e poder escolher viver um dia feliz, escolher dar bom dia com um sorriso no rosto, deixar que o carro ao lado entre na sua frente, pequenas atitudes que podem modificar tudo ao seu redor.
Chame a Felicidade para a sua vida que ela vem! Ela não é assim tão exigente.
A felicidade é simples, ela não precisa de fogos de artifício, não precisa de vestido de gala. (Já tive momentos muito felizes de chinelos).
Não é ser uma Polyana, mas ser alguém que acredita na possibilidade de que pode sim atuar sobre a própria vida construindo um ambiente em torno de si onde se possa valer a pena viver.
Olhar o outro lado da dor, da dúvida, tudo tem pelo menos dois lados, algumas coisas tem até mais do que dois. E quem sabe não é lá outro lado que está a Felicidade brincando de esconde- esconde conosco só pra arrancar um sorriso de nossos lábios.
Tenha a coragem de assumir que você pode ser feliz sim e que depende muito mais de você se permitir.
Agora me diga: O que te faz feliz? O que acalma seu coração? Que música toca na sua alma?
O que você está esperando para ouvir esta música?

Os papéis que vivemos

Monique Edelstein

Mesmo antes de nascer nosso papel dentro da família começa a ser definido.
O time que iremos torcer, a profissão que desenvolveremos, o que receberemos de nossos pais que eles não receberam dos pais deles, como seremos educados, com quem andaremos, seremos amigos de quem. Se formos o primeiro filho, sonhos são depositados sobre nossas vidas, dependendo se for menino ou menina, cada um destes sonhos pode assumir uma proporção diferente.
O fato é: nosso papel é determinado antes mesmo que possamos realizar nossa primeira respiração.
Se é de nosso agrado ou não, isso pouco influencia, uma vez que “criança não tem querer” e nossos pais sabem “o que é o melhor para nós”. Fazem isso com a melhor das boas intenções. E então, aceitamos o papel e vivemos nossas vidas muitas vezes dentro de um sapato que machuca o pé.
Quando na idade adulta, permanecemos aceitando papeis que nos são oferecidos porque é o que se espera de nós.
Se nos rebelamos e decidimos que algo deve mudar porque não está OK, enfrentamos resistências ferrenhas de todos os lados. Isso ocorre porque, uma vez que mudamos nossos caminhos, nossos comportamentos, nossas respostas ao mundo, aqueles que conosco convivem precisam repensar os seus papeis também, e, na maioria das vezes, um ou outro não está disposto a mudar, está confortável em seu papel, apenas obedecendo, apenas indo com a maré.
A mudança é muitas vezes um caminho sem volta. O lugar antigo não me atrai mais, eu sinto que não caibo mais naquele molde. É como se a pele tivesse ficado pequena e eu tivesse que rasgar e jogá-la fora.
É preciso coragem, força de vontade, disciplina, atenção a todos os sinais que devem ser observados, a tentação de não desagradar pessoas queridas, a tentação de não ter que assumir a responsabilidade de minhas escolhas, o conforto de ter a quem culpar.
Uma vez me disseram, “Eu descobri que precisava de um chefe para ter a quem culpar!”
Pois é, hoje esse corajoso e dedicado empresário vive a glória de ter encontrado seu caminho, de se responsabilizar por suas decisões e de se congratular pelos seus sucessos. O papel que ele representava não mais existe, dando espaço a uma vida mais criativa e rica de experiências boas, algumas nem tanto, faz parte do jogo. Mas ele está feliz. Muito feliz.
Eu lhe pergunto: no papel que você está vivendo, em qual capítulo é que o sentimento de gratificação e satisfação começarão a aparecer?
Há garantia de que irão aparecer? Quem será o culpado no caso de que o roteiro previsto não se apresente?
O que você pode fazer agora para garantir que esse momento chegará à sua vida?